quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Nada se acaba, olha o noticiário.

Não sei colocar ponto final nas coisas, não mesmo, sempre resta aquela sensação de reticências. Para que colocar um fim em tudo, se tudo fica na memória? Se não encontrar nas lembranças, nunca existiu, existe o que é relevante. O que existe e o que existiu.
O simples na mente não mente, entre e se sirva. Não é possivel negar o que lembra, sempre irão estar com você as lembranças, a não ser que se apague. [brilho eterno, não conta].
Colocar fim é apagar, é ser ingrato.

E sim, não me esquecerei das pinceladas que preencheram 600 dias, e uma vida toda; da cor que ainda me faz, e me fará; da tela que me pertimiu [dentro dos limites da moldura] pintar o que quizesse. Não, não me esquecerei, e não hei de colocar sequer um ponto final

[...] colcheteponto

Um comentário:

  1. ah! descobri você também.
    e que tesouro vocês escondem. todas essas letras. esse colcheteponto ou o alaranjado!
    mas então! que há um tempo atrás eu também estava com essa coisa das reticências. :) como um pulso. um compasso. inalando a tinta e soprando papel.
    um tic tac tic tac tic tac tic
    1001, que tem o vômito da continuidade. uma ânsia de pé pendente ao abismo, sabe?

    mas os pontos não são lá tão ruins assim. eu gosto deles bastante. não que o ponto seja uma parada superficial, daquela coisa que acaba e não volta mais. mas é o '___________________' absoluto. O absoluto. a pausa plena, o meio vôo do pássaro! a gota semi morta, o segundo antes do 'e se'. é a falta de ar, a cegueira, a lepra. o profundo abismo de luz e PASSADO-PRESENTE-FUTURO!, tudo no mesmo ponto infinito. que é tudo, nada e qualquer coisa.
    um ponto no espaço. de dimensões insondáveis. insólitas e pesadas. enfim.
    o ponto.

    mas isso é quando eu fico pesada.

    que quando estou leve
    nem reticencias eu uso
    para dar ares
    de poesia

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